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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Diálogo


– Você é meu companheiro.
– Hein?!

– Você é meu companheiro, eu disse.
– O quê?
– Eu disse que você é meu companheiro.
– O que é que você quer dizer com isso?
– Eu quero dizer que você é meu companheiro, só isso.
– Tem alguma atrás, eu sinto.
– Não, não tem nada. Deixe de ser paranóico.
– Não é disso que eu estou falando.
– Você está falando do que, então?
– Eu estou falando disso que você falou agora.
– Ah sei. Que eu sou teu companheiro.
– Não, não foi assim: que EU sou teu companheiro.
– Você também sente?
– O que?
– Que você é meu companheiro?
– Não me confunda, tem alguma coisa atrás, eu sei.
– Atrás do companheiro?
– É
– Não.
– Você não sente?
– Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
– Não. Não é isso. Não é assim.
– Você que não quer que seja isso assim?
– Não é que eu não queira: é que não é.
– Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
– Agora não?
– Agora sim. Você quer?
– O que?
– Ser meu companheiro?
– Ser teu companheiro?
– É.
– Companheiro?
– Sim.
– Eu não sei. Por favor, não me confunda. No começo era claro. Tem alguma coisa atrás, você não vê?
– Eu vejo, eu quero.
– O que?
– Que você seja meu companheiro.
– Hein?
– Eu quero que você seja meu companheiro, eu disso.
– O que?
– Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
– Você disse?
– Eu disse?
– Não, não foi assim: eu disse.
– O que?
– Você é meu companheiro.
– Hein?

FIM

Muito fofo, né gente?! É de um gaúcho chamado Caio Fernando Abreu. Pra quem já ouviu falar e não conhecia esse texto, já aumenta a lista. Pra quem ainda não conhecia, esse é apenas um dos vários textos que ele escreveu, especialmente contos e romances. Caio era uma de nós, nasceu no interior do RS, numa cidade chamada Santiago do Boqueirão (numa cidade com esse nome, podia ser outra coisa que não fosse viado?) e morreu em Porto Alegre, em 96, portador do HIV (uma pena!). Bom, mas antes de morrer ele deixou uma obra muito interessante e que tem sido cada vez mais apreciada e descoberta pelos literatos. A maioria dos seus enredos é homoafetiva, marginal, erotizada e bastante precisa na hora de descrever certos sentimentos e situações que todas nós conhecemos bem. O seu livro de maior sucesso chama "Morangos Mofados", nele vocês encontrarão um conto entitulado "Além do Ponto", leiam!! Esse conto vocês encontrarão também numa edição pocket da L&PM. Leiam! É um dos meus favoritos. A história é narrada pelo próprio personagem, um jovem, que caminha no meio da chuva, enfrentando os carros, a lama e a vontade de parar ou voltar atrás, para chegar na casa de um outro rapaz que o receberia de braços abertos... Leiam!

Lições do dia:
1) Pra aprender a ler, pra isso não tem hora, pode ser bichinha, pode ser bichona, deve ser agora;
2) Transar sem camisinha é arriscado;

3) Para comentar no nosso blog basta clicar no título da postagem e, por fim,

4) A moda outono-inverno promete, mas nesse calor que tá, ela não vai cumprir. Certeza!


Beijos! Amo vocês!

1 comentários:

Anônimo disse...

Oi eu n sei se tem a ver com a ideia de vcs, mas já que vcs se dispuseram a ajudar, eu tenho um problema e quero uma opinião... como eu faço pra arranjar um namorado? eu sempre saio na espectativa de achar alguém legal. vou a bares, boates, cinema até em teatro eu ja fui, mas nunca aparece alguém interessante e quando me interessa eu não tenho retorno, a pessoa nem olha pra mim. faz tempo que não namoro e tenho estado muito só. não quero so ficar por ficar, ja cansei disso. qual o problema com os gays dessas cidade que parece que não querem nada sério com ninguem? O que vcs me dizem? ah, tenho me divertido um bocado com as postagesn de vcs. estao arrasando. bjs.