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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Adja!


A poucos capítulos do fim da tonitruante novela Caminho das Índias, a espertinha da Juliana Paes soltou no seu blog uma brincadeira que causou rebuliço no meu coração: postou uma foto que reserva para a destemida Maya o mais insólito dos finais, diante da união amorosa entre Raj (o apetitoso Rodrigo Lombardi) e Bahuan (o vintage Márcio Garcia).

Claro, não passou de uma piadinha durante o ensaio para a capa do CD da novela. Mas essa foto me fez pensar no papel das gay no canal de tevê mais visto e discutido no Brasil. Hoje é meio que comum colocar gente gay nos folhetins, mas o troço funciona meio que como um sistema de cotas – e quase sempre tais personagens são a) assexuados ou b) estereotipados.

Podemos lembrar de alguns deles: em Mulheres Apaixonadas, Clara e Rafaela (uma delas vivida pela bocuda Alinne Moraes) moviam céus e terra por seu amor, mas trocaram no máximo uma bitoquinha em peça de teatro; Sandrinho e Jefferson (os precursores, um deles era o pertinente André Gonçalves) em A Próxima Vítima, tinham um relacionamento só da boca pra fora. E, claro, não podemos esquecer do Bruno Gagliasso, que em América chegou a gravar cena de beijo, que na hora H virou montagem tosca com fogos de artifício (na minha opinião, uma demonstração de náusea).

Reza a lenda que o primeiro beijo gay na faixa mais nobre da Globo já aconteceu, e ninguém percebeu: foi naquela minissérie ruim chamada Queridos Amigos, em que Benny (Guilherme Weber) catava a força o colegue Pedro (Bruno Garcia). A cena é inusitada e bem supimpa! Mas, claro, foi na surdina e ninguém deu valor, o que penso que era a intenção do canal.

Outros personagens-solo vão da trava Sarita, em Explode Coração, ao atual Cássio de Caras & Bocas (o ator é um gato, mas o papel é apenas uma releitura do Marc do seriado Ugly Betty). Estes pastam nos campos do estereótipo, por mais dignos que possam parecer suas caracterizações.

Gente, eu cá penso que hoje em dia todo mundo quer ser gay, então que esse desdobramento folhetinesco seja até normal, coisa do hype. Mas me incomoda ver o quanto de tabu ainda permanece na hora do gay ser gente de verdade. Eu mesma não me enxergo em nenhum desses arquétipos preparados pela Globo, nem mesmo quando eles vêm dos reality shows (e, nesse caso, só lembro de 3 deles serem realmente declarados: Jean e Dr. Marcelo do Big Brother e a sapa Lhitts, de edição antiga do No Limite).

O cinema, por exemplo, já quebrou essas regrinhas há bastante tempo – e não falo apenas dos undergrounds. Se antes víamos um filme adorável, mas em cima do muro, como Três Formas de Amar, hoje podemos nos refestelar com obras como Brokeback Mountain e Shortbus. E nos realities que são importados, tivemos este ano o brasileiro Rodrigo, no Big Brother do Reino Unido, se atracando com um boyfriend em pleno confinamento! Gente, e eu fui criado vendo o Na Real MTV e ainda hoje tenho taquicardia quando lembro dos beijos apaixonados que o modelo Dan dava nos seus peguetes na versão Miami!

O que quero dizer é que, se hoje em dia ninguém mais parece se chocar com as gays, não entendo como um canal como a Globo – o mais visto no país e, em tese, o mais arrojado de todos – ainda insista na muleta de vender o gay assexuado ou o gay fervido. Acredito que a sociedade já está preparada para ver o galã número 1 se atracar amorosamente como galã número 2. Ou seja, é um sonho incitado pela namoradinha do Brasil Juliana Paes, mas que Raj e Bahuan formariam um casal L-I-N-D-O, ah formariam sim!

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As gay diz:
1. Raj no meu bahuan que eu gosto!
2. Maya já está no final! O que somos nós, afinal?
3. De grão em grão, o gagliasso enche o papo!